A vida é assim mesmo, menino, surpreende, desgasta, esfola, transforma. Coração, em suas mãos, é brinquedo, pessoas são fantoches, tempo é remédio. O amor? Ah, o amor é cura! Por isso que eu sigo, que você segue, que nós seguimos. A gente não perde a esperança de encontrá-lo nas curvas da estrada. A gente não perde a fé e acredita na promessa do felizes-para-sempre. É, menino, pura loucura, eu bem sei, mas o coração tem dessas coisas mesmo, acredita no impossível. Cai, levanta e insiste em acreditar. De tanto acreditar, encontra. Gabriela Santarosa
Eternizo-te, John.

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28/04/2012 @ 11:48
Você não sabe, mas eu te vejo. Não nas ruas cheias da cidade. Não nos nossos ex-lugares favoritos que vezenquando vou, tentando encontrar-lhe casualmente, mesmo ambos sabendo que nada de casual havia naquele encontro. Eu te vejo com os olhos do meu coração. Imagino-te realizando seus sonhos. Pergunto mentalmente quando é que vai para aquela pousada no meio do nada que os amigos nos convidavam para passar um final de semana e você dizia quem-sabe-depois. Eu te via sentado na poltrona se esforçando para não cochilar enquanto via as notícias do mundo, e tentava me imaginar fora de todas essas cenas, de alguma forma ligada a você, seja por dedos entrelaçados ou cabeças encostradas. Te vejo caminhando para todos os cantos em que queria estar, e pensei em te perguntar se não gostaria de uma companhia que tanto esperava receber convite seu para partirem juntos pelo mundo. Prometo não fazer barulho nenhum. Você não irá notar minha aproximação lenta para descobrir o que tanto prendeu sua atenção no jornal que só fala sobre economia. Você não irá escutar minha voz cantarolando aquela música de amor tocando no rádio que, apesar de não dizer, me fazia lembrar de quando encostava as costas no seu peito forte e fingia não saber que você estava me olhando enquanto contava as estrelas mais brilhantes do céu. Tampouco ouvirá meus dedos batendo no porta - aquela mania que dizia vir desde que fomos naquele show de rock e me encantei na ideia de tocar bateria. Você não vai sentir falta de todo o seu café porque eu pedi apenas alguns goles mas acabei tomando a xícara inteira prestando atenção nas notícias da televisão. Eu não comentarei sobre sua mania de usar as camisas mais estranhas, o penteado mais bagunçado ou o sapato quase rasgado que você tanto gosta, motivo de discórdia quase todos os dias em que decidíamos passear pelas ruas escuras da cidade. Não precisa se preocupar, não sentirá resquício algum do meu perfume muito doce na sua cama sempre meio desarrumada, culpa da sua mania de chegar em casa e se jogar nos lençóis para pensar na vida durante cinco minutos. Apenas queria te pedir para que me deixasse ficar com você. Eu te prometo que você não notará minha presença, que não deixarei sequer uma almofada jogada no chão ou um livro esquecido naquela mesa velha perto da janela que você usa para jogar seus papeis de trabalho. Eu só preciso permanecer de alguma forma, na sua rotina, na sua vida, nos passos que você dá rumo aquele futuro brilhante que está destinado. Queria apenas isso, caminhar ao seu lado em silêncio, sentir meu coração disparar com seu sorriso sarcástico e morrer de ansiedade imaginando como seria tocar de novo sua mão em constante movimento. Eu não te via, mas sabia que estava ao meu lado. Fantasiava seu riso com meus tropeções na escada e seu olhar bravo quando alguém me olhava com segundas intenções. Eu só queria existir para você como você existe para mim.Gabriela Santarosa 

Você não sabe, mas eu te vejo. Não nas ruas cheias da cidade. Não nos nossos ex-lugares favoritos que vezenquando vou, tentando encontrar-lhe casualmente, mesmo ambos sabendo que nada de casual havia naquele encontro. Eu te vejo com os olhos do meu coração. Imagino-te realizando seus sonhos. Pergunto mentalmente quando é que vai para aquela pousada no meio do nada que os amigos nos convidavam para passar um final de semana e você dizia quem-sabe-depois. Eu te via sentado na poltrona se esforçando para não cochilar enquanto via as notícias do mundo, e tentava me imaginar fora de todas essas cenas, de alguma forma ligada a você, seja por dedos entrelaçados ou cabeças encostradas. Te vejo caminhando para todos os cantos em que queria estar, e pensei em te perguntar se não gostaria de uma companhia que tanto esperava receber convite seu para partirem juntos pelo mundo. Prometo não fazer barulho nenhum. Você não irá notar minha aproximação lenta para descobrir o que tanto prendeu sua atenção no jornal que só fala sobre economia. Você não irá escutar minha voz cantarolando aquela música de amor tocando no rádio que, apesar de não dizer, me fazia lembrar de quando encostava as costas no seu peito forte e fingia não saber que você estava me olhando enquanto contava as estrelas mais brilhantes do céu. Tampouco ouvirá meus dedos batendo no porta - aquela mania que dizia vir desde que fomos naquele show de rock e me encantei na ideia de tocar bateria. Você não vai sentir falta de todo o seu café porque eu pedi apenas alguns goles mas acabei tomando a xícara inteira prestando atenção nas notícias da televisão. Eu não comentarei sobre sua mania de usar as camisas mais estranhas, o penteado mais bagunçado ou o sapato quase rasgado que você tanto gosta, motivo de discórdia quase todos os dias em que decidíamos passear pelas ruas escuras da cidade. Não precisa se preocupar, não sentirá resquício algum do meu perfume muito doce na sua cama sempre meio desarrumada, culpa da sua mania de chegar em casa e se jogar nos lençóis para pensar na vida durante cinco minutos. Apenas queria te pedir para que me deixasse ficar com você. Eu te prometo que você não notará minha presença, que não deixarei sequer uma almofada jogada no chão ou um livro esquecido naquela mesa velha perto da janela que você usa para jogar seus papeis de trabalho. Eu só preciso permanecer de alguma forma, na sua rotina, na sua vida, nos passos que você dá rumo aquele futuro brilhante que está destinado. Queria apenas isso, caminhar ao seu lado em silêncio, sentir meu coração disparar com seu sorriso sarcástico e morrer de ansiedade imaginando como seria tocar de novo sua mão em constante movimento. Eu não te via, mas sabia que estava ao meu lado. Fantasiava seu riso com meus tropeções na escada e seu olhar bravo quando alguém me olhava com segundas intenções. Eu só queria existir para você como você existe para mim.
Gabriela Santarosa 


18/03/2012 @ 18:33
Encoste seu corpo cansado no meu. Faz de mim apoio, bengala, suporte… Faz de mim o que quiseres, mas prenda-nos e não solte mais. Quando a vida pesar, corra para meus braços e deixe-me aquietar-te. Permita-me o poder de trazer-lhe leveza. Que sejamos leve como pluma, e voemos pelo céu sem rumo, dançando sobre as nuvens, escrevendo nossos nomes com o brilho do Sol. Que tenha uma tormenta ali, um texto triste aqui, uma saudade fria - afinal, amar também é melancolia. Que aja peso! Quando estivermos pesados, que nossos pés toquem o chão só para recordarmos o quão bom é o encostar-se um do outro e sentir os jardins florirem, até voltarmos a andar sobre as nuvens. E que assim, devagarinho, de afagos e acasos, alcancemos as estrelas.
Gabriela Santarosa 


27/01/2012 @ 20:34
Meu Bem Querer               Tanto destinei à teu nome avisos de saudade, que chamá-lo me dói. Não sabes, mas vives dentro de mim. Tens casa dentro de meu peito. A princípio, era pequenina, não passava de um chalé com nada além de três cômodos e meia dúzia de móveis antigos. Agora, tens casarão, com jardim florido do portão à grande porta de entrada. Dentro, há lareiras nos quartos e na biblioteca repleta de nossos romances favoritos, e um grande salão que imaginava rodopiar em teus braços na música lenta e feliz que tocaria em nossos dias felizes. Criei para nós um mundo de sonho isento de maldade e partidas. Ao teu lado, esquecia como era a solidão. Mas quando partistes, descobri um novo significado para a palavra dor. Dor não era a melancolia, não era o problema que me fazia perder o sono várias noites seguidas, não era a discussão com palavras que apunhalavam o peito. Dor era falta. A falta do segundo que rouba o ar, arrepia a pele e formiga a ponta dos dedos. No meio de tanta ausência, a falta do seu perfume forte que me doía como uma ferida aberta. Queria que aparecesse na porta do quarto quando chamava teu nome no meio da noite. Queria que deitasse do meu lado e sussurrasse ei-estou-aqui, e assim, com essas poucas palavras, meu coração se aquietasse. Queria sorrir com o rosto preso na base do seu pescoço e te ouvir rir quando dissesse que teu cheiro ainda é meu favorito. Queria que estivesse aqui, no meio da minha bagunça, dos meus rascunhos inacabados. Queria sentir seu coração batendo de encontro ao meu. E como ainda é cedo demais para realizar sonhos, queria que soubesse: Sua falta me dói todos os dias. Gabriela Santarosa 

Meu Bem Querer
               Tanto destinei à teu nome avisos de saudade, que chamá-lo me dói. Não sabes, mas vives dentro de mim. Tens casa dentro de meu peito. A princípio, era pequenina, não passava de um chalé com nada além de três cômodos e meia dúzia de móveis antigos. Agora, tens casarão, com jardim florido do portão à grande porta de entrada. Dentro, há lareiras nos quartos e na biblioteca repleta de nossos romances favoritos, e um grande salão que imaginava rodopiar em teus braços na música lenta e feliz que tocaria em nossos dias felizes. Criei para nós um mundo de sonho isento de maldade e partidas. Ao teu lado, esquecia como era a solidão. Mas quando partistes, descobri um novo significado para a palavra dor. Dor não era a melancolia, não era o problema que me fazia perder o sono várias noites seguidas, não era a discussão com palavras que apunhalavam o peito. Dor era falta. A falta do segundo que rouba o ar, arrepia a pele e formiga a ponta dos dedos. No meio de tanta ausência, a falta do seu perfume forte que me doía como uma ferida aberta. Queria que aparecesse na porta do quarto quando chamava teu nome no meio da noite. Queria que deitasse do meu lado e sussurrasse ei-estou-aqui, e assim, com essas poucas palavras, meu coração se aquietasse. Queria sorrir com o rosto preso na base do seu pescoço e te ouvir rir quando dissesse que teu cheiro ainda é meu favorito. Queria que estivesse aqui, no meio da minha bagunça, dos meus rascunhos inacabados. Queria sentir seu coração batendo de encontro ao meu. E como ainda é cedo demais para realizar sonhos, queria que soubesse: Sua falta me dói todos os dias. 
Gabriela Santarosa 


8/01/2012 @ 10:16
Sinto dar-lhe o desprazer de uma confissão tão maldosa, moço, mas devo admitir: Te invento. Exagero na perfeição que já tens para fazer jus à beleza que sonhava ter em minhas mãos. Corto-lhe os fios compridos de cabelo que teimam em cair por sua testa quase sempre franzida em tom aborrecido. Endureço suas expressões e suavizo as palavras que saem de seus lábios enrugados de remorso. Embelezo suas imperfeições e exagero as boas ações que fazes sem notar. Idealizo-te, meu bem. Transformo-te nos heróis dos romances, no cavalheiro de armadura brilhante que comemora sua vitória, salva a pequena dama indefesa dos malfeitores e a faz conhecer o amor e a si mesma em páginas e mais páginas de puro deleite e êxtase para os observadores de tamanha paixão. Hoje, não mais. Em meus devaneios, fiz descoberta alheia até então para mim. A verdade, moço, é sua mortalidade. Meu objeto de adoração é tão simples e errôneo quanto qualquer outro ser humano que cruza meu caminho sem despertar interesse. E mesmo assim, há entre você e o resto do mundo uma grande diferença impossível de ser negada: Tocaste meu coração.
Gabriela Santarosa


23/11/2011 @ 22:22
Imagino-te sentado numa lareira, tomando uma xícara de chocolate quente e descobrindo em meio as contas esta carta que escrevo para provar aquilo que ainda não descobri. Confundo tua cabeça e a minha com as mesmas palavras. Eu bem sei, meu amor, eu bem sei. A verdade é que gosto de escrever cartas para você. Apenas para você. Libertar segredos ocultos no fundo da alma. Uso-te, admito, uso-te - para despertar a pequena literatura que reside em algum canto perdido nas curvas de meu coração. Imagino-te sentando ao meu lado em meu bar preferido e sussurrando para deixar essa vida solta e aprisionar-me em teu abraço. Andando pelas ruas, sinto segurar minhas mãos e fazer comentário qualquer para que não me sinta só enquanto não chega. Abraço-te em silêncio no escuro do meu quarto, rogando para que invada minha vida antes da noite me devorar. Olhando pela janela do trem, o vejo acenando para mim com olhar de até-logo-volte-logo. Quando me vejo perdida entre os lençóis da minha cama, é seu corpo que encontro encostado na porta me lançando olhar de você-não-passa-de-menina-boba. Escrevendo, te trago para mim. Invento nossa história mil vezes, uma melhor que a outra. Tu vai, volta e permanece. Tu vens e me prende nesse amor que me faz afogar e flutuar nas águas do mar de uma só vez. Em meus contos, em meus sonhos, em meu olhar de súplica, peço apenas para que venhas. Penso que é para isso que escrevo, para trazê-lo até mim, ainda que inconscientemente. Vejo cada palavra que transformo em frase como um passo que dá até mim. E assim continuo a escrever e esperar. Quem sabe, num dia nublado e triste como esses que me fazem companhia, não vens? Te espero, meu bem, te espero.
Gabriela Santarosa


13/11/2011 @ 17:57
Encoste seu corpo cansado no meu. Faz de mim apoio, bengala, suporte… Faz de mim o que quiseres, mas prenda-nos e não solte mais. Quando a vida pesar, corra para meus braços e deixe-me aquietar-te. Permita-me o poder de trazer-lhe leveza. Que sejamos leve como pluma, e voemos pelo céu sem rumo, dançando sobre as nuvens, escrevendo nossos nomes com o brilho do Sol. Que tenha uma tormenta ali, um texto triste aqui, uma saudade fria - afinal, amar também é melancolia. Que aja peso! Quando estivermos pesados, que nossos pés toquem o chão só para recordarmos o quão bom é o encostar-se um do outro e sentir os jardins florirem, até voltarmos a andar sobre as nuvens. E que assim, devagarinho, de afagos e acasos, alcancemos as estrelas.
Gabriela Santarosa


10/11/2011 @ 13:04
Gosto daquilo que não devo gostar. Gosto muito, quase do tamanho do gostar. Então fujo. Corro como criança assustada em busca dos pais, de abraço, de abrigo, de amigo. E fico ali, bem quietinha esperando meu objeto de adoração passar. Quando menina, eram as nuvens. Adorava-as! Mas no temporal, escondia-me de suas águas, ignorava seu choro desesperado, negando nossa amizade. Sussurrava pedido de desculpas para a brisa, para que ela o leve para as nuvens, e sentia-me perdoada. Mas contigo. Ah, contigo não. Tu não eras nuvem. Eras o temporal. Sentia por ti misto de temor e encantamento. Não sabias jamais o que viria junto de ti - o dia mais belo ou o mais sombrio. Eras o responsável por toda a inconstância de meu peito. Ora fazendo-me a mais feliz, ora trazendo-me ganas de rebelar-me contra nosso amor. Queria fugir de teu olhar, esconder-me como sempre fiz com todas as minhas paixões, mas não permitias. Dizia-me sonoro “não”, sem nada dizer. E ali permanecia, observando-te. Tive muitas chances de fugir, é bem verdade. Uma lágrima ou outra caíra enquanto estavas ao meu lado. Um tom ou outro, alto, sons de discussões sem sentido algum, deram-nos motivos mais do que o suficiente para me permitires partir. Mas não ia. Não queria. Mesmo se quisesses, havia a certeza de que não duraria um segundo sequer distante de seu tato. E eu, de fugitiva, tornei-me, de bom grado, cativa de nosso amor.
Gabriela Santarosa


5/11/2011 @ 15:02
Amado John, Em tarde chuvosa de sábado, assisti o casal mais belo do mundo. A moça, muito doce, porém com uma pitada de azedume, encaixava-se - da maneira mais clichê e esplêndida - com o rapaz orgulhoso e gentil. Deve ser bom ter amor de cinema antigo, não pensas, John? Sinfonias poéticas construindo o cenário perfeito com beijo apaixonado e anel brilhando no dedo dos apaixonados. A alma sente-se feliz como se fosse a história de ente querido e amado, e o coração fica triste por não ser meu corpo nos braços de meu amor. Os créditos sobem devagar e continuo quietinha agarrada aos travesseiros, chorando um misto de alegria e desamparo. Apesar de toda a angústia que me traz, tornou-se meu filme predileto. Talvez seja apenas uma romântica nata, fielmente crente na história do amor eterno. Talvez sejam os atores, a química, o cenário, a sensação quente que me vem no peito ao enxergar o amor idealizado. Ou talvez seja porque, ao final desse filme, sempre me recordo de você.
Muitas primaveras trouxeram flores silvestres e cores alegres à meu jardim. Corpos me aqueceram, sorrisos me iluminaram. Mas, desde sua partida, John, não houve quem me transbordasse. Era minha sensação predileta. Sentir-me cheia o dia todo, e transbordar ao te encontrar, causar enchentes em minhas ruas, fundar mares em meu mundo. E apesar de tanta cheia em meus rios, havia sempre a calmaria de tua carícia. Aonde foi que nos perdemos, meu amor? Em quais mares tu se escondeu? Naveguei por lugares inóspitos, frios, tristes, e não o encontrei. Me fizeste sorrir tantas vezes que, ao partires, ainda sorria. Não por felicidade, mas costume.
Imaginei, no silêncio da sala já sem som ou cor de romance, que amor de cinema era assim mesmo, movido à excessos. Haviam neles partidas e chegadas, despedidas e perdões, eu e você. Disquei seu número o dia todo apenas para escutar sua voz mau humorada na caixa postal dizendo que não estava, que ligasse mais tarde. Me encolhi no sofá, sussurrando-te quase em tom de perdão, que poderíamos ser filme se quiséssemos, e isto nada mais era do que apenas os primeiros quinze minutos de uma linda história de amor. A mais bela e apaixonada de todas - a nossa -, meu John. Você nunca retornou a mensagem.  Gabriela Santarosa 

Amado John,

Em tarde chuvosa de sábado, assisti o casal mais belo do mundo. A moça, muito doce, porém com uma pitada de azedume, encaixava-se - da maneira mais clichê e esplêndida - com o rapaz orgulhoso e gentil. Deve ser bom ter amor de cinema antigo, não pensas, John? Sinfonias poéticas construindo o cenário perfeito com beijo apaixonado e anel brilhando no dedo dos apaixonados. A alma sente-se feliz como se fosse a história de ente querido e amado, e o coração fica triste por não ser meu corpo nos braços de meu amor. Os créditos sobem devagar e continuo quietinha agarrada aos travesseiros, chorando um misto de alegria e desamparo. Apesar de toda a angústia que me traz, tornou-se meu filme predileto. Talvez seja apenas uma romântica nata, fielmente crente na história do amor eterno. Talvez sejam os atores, a química, o cenário, a sensação quente que me vem no peito ao enxergar o amor idealizado. Ou talvez seja porque, ao final desse filme, sempre me recordo de você.

Muitas primaveras trouxeram flores silvestres e cores alegres à meu jardim. Corpos me aqueceram, sorrisos me iluminaram. Mas, desde sua partida, John, não houve quem me transbordasse. Era minha sensação predileta. Sentir-me cheia o dia todo, e transbordar ao te encontrar, causar enchentes em minhas ruas, fundar mares em meu mundo. E apesar de tanta cheia em meus rios, havia sempre a calmaria de tua carícia. Aonde foi que nos perdemos, meu amor? Em quais mares tu se escondeu? Naveguei por lugares inóspitos, frios, tristes, e não o encontrei.
Me fizeste sorrir tantas vezes que, ao partires, ainda sorria. Não por felicidade, mas costume.

Imaginei, no silêncio da sala já sem som ou cor de romance, que amor de cinema era assim mesmo, movido à excessos. Haviam neles partidas e chegadas, despedidas e perdões, eu e você. Disquei seu número o dia todo apenas para escutar sua voz mau humorada na caixa postal dizendo que não estava, que ligasse mais tarde. Me encolhi no sofá, sussurrando-te quase em tom de perdão, que poderíamos ser filme se quiséssemos, e isto nada mais era do que apenas os primeiros quinze minutos de uma linda história de amor. A mais bela e apaixonada de todas - a nossa -, meu John. Você nunca retornou a mensagem.  
Gabriela Santarosa 


27/10/2011 @ 16:02
Dei-lhe codinome, apelido carinhoso, código secreto para expor meu amor que, por si só, já é segredo guardado à sete chaves em minh’alma. Mostro ao mundo e o escondo de ti, que nos ombros carrega toda a esperança de moça difícil, medrosa e carente que sou desde sempre, mais ainda depois que te vi e nos vivi deitada no aconchego de meu quarto. O chamarei de John. Ora, nome estrangeiro - dirias se soubesses - com tanta variedade nacional, porque chamar de John? Por livros, poesia e acordes musicais. John para mim sempre fora sinônimo de imperfeita perfeição. John é talhado para mim, em cada fibra, defeito e vírgula; em cada desconfiança, zombaria e teimosia. Sentia sua tristeza e repousava em seu sorriso. Pouco importava se este amor sairia de seu esconderijo e seria vivido de forma plena e explosiva como acontece quando o destino decide que cruzemos o mesmo caminho pela avenida. Serias meu John pela eternidade. E eu seria tua, no nome que quiseres.
Eternizo-te, John - Gabriela Santarosa